
Num contexto internacional marcado por múltiplas crises — climática, económica, social e de segurança — e por uma reconfiguração profunda das dinâmicas geopolíticas, a Cooperação Portuguesa para o Desenvolvimento enfrenta novos desafios, mas também oportunidades. A descrença no multilateralismo, a emergência de novos actores e novas alianças, o peso crescente dos interesses geopolíticos dos países financiadores, a financeirização da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (e da política de Cooperação), bem como o “desvio” de orçamentos destinados à Cooperação para a defesa e segurança colocam em causa os modelos tradicionais de Cooperação para o Desenvolvimento, exigindo novas respostas mais flexíveis, inclusivas e coerentes.
Perante este cenário, importa reflectir criticamente sobre o papel da Cooperação Portuguesa enquanto política de Desenvolvimento, sobretudo dos países parceiros: que prioridades estratégicas orientar – ou devem orientar – a sua acção? Como assegurar a coerência entre políticas públicas e os compromissos assumidos internacionalmente? De que forma pode a Cooperação Portuguesa reforçar abordagens baseadas em direitos, promover parcerias mais equitativas e contribuir para respostas sustentáveis às múltiplas crises? Como reage a Cooperação Portuguesa à reconfiguração das políticas de Cooperação para o Desenvolvimento a nível europeu? Uma cooperação mais transacional é a resposta única dos países tradicionais de Cooperação para o Desenvolvimento?
A revista Mundo Crítico convida à submissão de contributos que analisem, questionem e proponham caminhos para uma Cooperação para o Desenvolvimento mais transformadora, capaz de responder às exigências de um mundo em constante (e rápida) mudança.
