
Num contexto internacional marcado por múltiplas crises — climática, económica, social e de segurança — e por uma reconfiguração profunda das dinâmicas geopolíticas, a Cooperação Portuguesa para o Desenvolvimento enfrenta novos desafios, mas também oportunidades. A descrença no multilateralismo, a emergência de novos actores e novas alianças, o peso crescente dos interesses geopolíticos dos países financiadores, a financeirização da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (e da política de Cooperação), bem como a secundarização da importância de cumprir os compromissos internacionais com o financiamento da cooperação relativamente à “urgência” que foi atribuída ao crescimento do orçamento da defesa e segurança, exigem novas respostas mais flexíveis, inclusivas e coerentes.
Perante este cenário, esta edição da Mundo Crítico – Revista de Cooperação e Desenvolvimento procura reflectir criticamente sobre o papel da Cooperação Portuguesa enquanto política de Desenvolvimento, e sobre a forma como esta política se deve preparar perante a reconfiguração das políticas de Cooperação para o Desenvolvimento a nível europeu e mundial.
Para a abertura deste número, desafiámos dois antigos governantes e eurodeputados – Ana Gomes e José Ribeiro e Castro – para uma conversa imperfeita sobre o presente, mas sobretudo o futuro da Cooperação Portuguesa num mundo em profunda mudança. Já o saber e circunstâncias reúne reflexões sobre as mudanças geopolíticas e geoeconómicas, a forma como as Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento se devem reinventar, o futuro das agências de Desenvolvimento e uma visão sobre a Cooperação Portuguesa, a partir de Cabo Verde. Este dossiê fecha com um texto sobre o papel da filantropia na nova arquitectura da cooperação internacional e uma conversa entre três investigadores sobre o papel da academia neste sector.
O editorial modos de ver acolhe um ensaio fotográfico de uma jovem artista santomense, que registou a primeira semana de moda em S. Tomé e Príncipe, em 2017. Nas narrativas, apresentamos Laudolino Medina, líder da Associação dos Amigos da Criança da Guiné-Bissau, e que é um dos rostos no resgate de crianças vítimas de tráfico no país. A revista integra ainda uma banda desenhada, desta vez, uma crítica à Cooperação para o Desenvolvimento e aos duplos padrões na definição da sua política. Fechamos, como sempre, com uma sugestão de leitura, desta vez sobre o último livro do escritor e pensador Felwine Sarr.
Boas leituras!
