DESAFIOS – Observatório da Mulher na Guiné-Bissau

Nelvina Barreto, Armando Correia e Claudina Viegas (autores)

Carlos Sangreman (coord. científica)
Edição ACEP, 2025

Ana Filipa Oliveira

Trabalha na ACEP, desde 2009, onde desenvolve projectos na área da comunicação, advocacia e direitos humanos, após uma passagem pelo jornalismo em Macau. Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra.

O primeiro estudo conduzido pelo recém criado Observatório da Mulher na Guiné-Bissau, promovido pela Associação para a Cooperação Entre os Povos, juntamente com a Liga Guineense dos Direitos Humanos, a MIGUILAN – Mindjeris di Guiné Nô Lanta e a Associação das Mulheres Profissionais da Comunicação Social, com apoio do Camões, I.P., traça um perfil aprofundado da situação das mulheres no país, com base em informação recolhida em todas as regiões, e em inquérito realizados a cerca de 400 mulheres de diferentes idades, escolaridades e etnias. O resultado é um retrato abrangente em áreas como a educação, a saúde, a economia e trabalho, passando ainda pela justiça e segurança, a participação política e cívica e as questões relacionadas com o bem-estar.

No que diz respeito à dimensão da economia e trabalho, o relatório revela-nos, por exemplo, que a maior parte das mulheres da amostra atua no setor informal, principalmente como vendedoras (atividade prevalecente em todas as regiões), enfrentando situações de discriminação de género, bem como desafios no acesso ao crédito formal e na valorização do seu trabalho. Denota-se ainda uma forte dependência de redes familiares e comunitárias, nomeadamente a participação em associações de “abota”. Como recomendações para esta área, os autores e autoras do estudo propõem a criação de linhas de microcrédito específicas para mulheres e o fortalecimento de cooperativas femininas, bem como a aposta na formação em gestão de pequenos negócios e empreendedorismo. A nível político, a recomendação passa pela integração das trabalhadoras informais nas políticas económicas nacionais.