Depois ter publicado em 1999 o Guia de Formação dos Direitos Humanos, a ONG Mosaiko, que desempenha há quase três décadas um trabalho pioneiro na promoção dos direitos humanos em Angola, editou o Manual dos Direitos Humanos. Trata-se de uma obra extensa, organizada em seis partes que abordam 6 macro temas ligados aos direitos humanos, por sua vez articulados em 63 lições preparadas por 53 autores provenientes de vários países de língua portuguesa. A primeira parte do manual aborda a história dos Direitos Humanos partindo da Antiguidade e da Bíblia, focando-se na colonização e a escravatura, e localizando, no fim, a temática no contexto angolano, com uma reflexão sobre o ubuntu e o njango, encarados como boas práticas tradicionais. Segue uma segunda parte mais específica que aborda o tema do ponto de vista histórico e jurídico, abrindo para os direitos económicos, sociais e culturais. Uma terceira secção pretende ver como os Direitos Humanos entram no quotidiano das nossas vidas em vários artigos que abordam questões como a da infância, da religião, da demo cracia, entre outras.
Uma quarta parte abre a reflexão para o continente africano, repensando também o tema do desenvolvimento. Uma quinta parte explora as implicações políticas da aplicação dos Direitos
Humanos, abordando questões como a exploração dos recursos naturais, o conflito entre direito costumeiro e direitos da mulher ou os direitos culturais e linguísticos. A última secção, que é também a mais rica em contributos, questiona o futuro e os desafios dos Direitos Humanos, encarando questões como o racismo sistémico, o problema da corrupção, a mobilidade humana, a ascensão global da extrema-direita, a justiça climática, as manipulações genéticas e o activismo.


