Foi pelo olhar da minha mãe que vi o mundo

Dário Pequeno Paraíso

Estudou na Cooperativa de Ensino Artístico Árvore no Porto e no Ar.Co em Lisboa. Fotógrafo do Público desde 1996. Professor e formador na área da Fotografia, tem livros publicados e está representado em colecções em Portugal e no estrangeiro. Faz parte do colectivo 121212 que realizou um levantamento social de Portugal no ano de 2012 e, em 2017, publicou Carvões de Aço, sobre mineiros do Pejão, em Castelo de Paiva.

– exposição Mulheres de São Tomé e Príncipe

 

Nesta ilha, as mulheres carregam um fardo pesado, que inveja quem não consegue e entristece quem consegue. Sei pouco deste sentimento, apenas observo, em todos os cantos das roças, das quintas, dos campos e da cidade. Existem momentos e trocas de olhares em que revivo o olhar da minha mãe – forte, capaz, esperançoso, (e melhor ainda) corajoso.

Fui do norte ao sul de São Tomé e Príncipe e entre palaiês, advogadas, empreendedoras, vendedoras do mercado e empresárias, as inspiradoras histórias das suas vidas remetem-me a um lado sombrio e escondido na luta da igualdade de género. O percurso para melhorar as suas condições de vida é longo e apenas os seus sorrisos esquecem das suas tristeza.​

– Sinceramente? A ligação aconteceu numa tarde calorosa de Novembro e entendi o que seria viver e crescer nesta terra, em que sonhava ter um pedaço deste olhar. Viajamos até Junho, a entender a esperança, lutando pela igualdade, ouvindo desabafos, alegrias e tristezas. Sabia que não o iria sentir mesmo se tocasse ou visse. Iria apenas sentir, se vivesse pela verdade dos factos pois o contrário nunca arrefece.

Tenho saudades do nosso Janeiro.